O Focusing é um método de atenção experiencial desenvolvido por Eugene Gendlin que se baseia na capacidade natural do corpo para gerar uma sabedoria implícita sobre as situações que vivemos. Através de uma atitude de presença e escuta interna, este processo permite aceder a essa inteligência orgânica que está para além da cultura, da história pessoal ou da análise racional. O conceito central é o Felt Sense, a sensação global, intuitiva e não verbal com que o corpo vive uma situação.
Ao trabalhar com o Felt Sense, o Focusing ajuda a clarificar e reposicionar-nos perante fenómenos internos como sensações, emoções, memórias, imagens ou bloqueios. O método cria uma atmosfera de curiosidade e acolhimento que permite dar expressão ao que surge internamente sem julgamento ou controlo. Quando este processo se desenrola, pode ocorrer um Felt Shift, uma mudança corporal sentida como alívio, clareza ou expansão, que indica uma reorganização interna mais coerente.
Esta abordagem devolve à pessoa a capacidade de se escutar profundamente, funcionando como um “GPS interno” que orienta para estados de maior regulação e alinhamento entre necessidades internas e o ambiente. O Focusing desenvolve presença, flexibilidade e sensibilidade, facilitando a mediação entre o mundo interno e externo e potenciando soluções criativas para situações complexas. Muitas pessoas relatam que esta prática amplia o sentido de si e do mundo.
Além de um método de autocuidado e prática contemplativa, o Focusing possui toda uma epistemologia que vai beber à filosofia experiencial, para além de ser também uma psicoterapia. Gendlin criou passos simples para se aprender o processo e promoveu as Parcerias de Focusing, permitindo que esta prática seja socialmente sustentável. A abordagem tem aplicações terapêuticas amplas que se podem facilmente integrar em qualquer abordagem psicoterapêutica.